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O impacto dos nematoides nos canaviais e as novas tecnologias do setor

Leila Dinardo, engenheira agrônoma do IAC, fala sobre a importância da pesquisa no manejo da cana-de-açúcar



Engenheira agrônoma formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp Campus Jaboticabal), Leila Luci Dinardo atua como pesquisadora no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) desde 1994. Seu foco é o manejo integrado de pragas e nematoides em cana-de-açúcar.


"A pesquisa é a base de tudo" - Leila Luci Dinardo.

"A pesquisa é a base de tudo", afirma Leila. Para a engenheira, o fomento científico é o que dá base para a administração otimizada da lavoura de cana-de-açúcar. É por meio da pesquisa, e sua consequente aplicação no campo, que se obtém melhores resultados.

O trabalho de Leila Dinardo e do IAC é adequar a cana às diversas realidades brasileiras - de solo, clima, ambiente etc.. Assim, os pesquisadores podem oferecer alternativas viáveis para lidar com os problemas desta cultura, a exemplo das pragas, e assim produzir com rentabilidade.

"O Brasil é um importante produtor de cana-de-açúcar e seus derivados. Em razão disso é que realizamos as nossas pesquisas", pontua Leila.

 A especialista ainda ressalta que a cana não é "só álcool e açúcar",  sendo útil em outras cadeias produtivas, como a de geração energética, por exemplo.

Um dos passos dos programas de manejo idealizados pelo IAC, e também por outros órgãos e profissionais especializados em cana, é o controle de nematoides. No Brasil, são habituais quatro espécies que atacam a cana-de-açúcar: Pratylenchus zeae, Pratylenchus brachyurus, Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita - as duas últimas ainda mais comuns.

Diferentemente de outras culturas, a exemplo do café e do algodão, a ação do nematoide é mais difícil de ser detectada na cana-de-açúcar. Isso se deve ao fato de seus sinais serem facilmente confundidos com outros fenômenos e patologias. Leila salienta que, em geral, o nematoide causa irregularidade no tamanho das plantas e necroses em suas raízes.

"O nematoide não mata a planta", lembra a pesquisadora. No entanto, ao afetar o sistema radicular da cana e extrair parte dos nutrientes para si, o nematoide a enfraquece, fazendo com que esta cresça e produza menos.



Leila Dinardo é especialista em manejo integrado de pragas e nematoides em cana-de-açúcar no IAC.

Leila também frisa que há presença de nematoide em toda plantação de cana brasileira: "as consequências da praga dependerão de sua concentração". Por isso, para tratar a lavoura e entender possíveis prejuízos, é preciso que o agricultor submeta sua plantação a uma análise técnica de toda a área e cultura.

Segundo a pesquisadora, estima-se uma redução entre 15 e 40% da produtividade na cana planta devido à ação do nematoide - vale lembrar que a soqueira é menos afetada, mas também sofre consequências.

"Já vi casos de redução de 70% de produtividade devido à alta concentração de nematoides", conta.

Mesmo sendo muito sensível à praga, a cana-de-açúcar felizmente responde bem ao tratamento. Após a análise do campo, o produtor pode encontrar as soluções ideais para manejar os nematoides de sua lavoura.

Dentre opções biológicas, químicas e de melhoramento genético, Leila recorda que os nematicidas mais antigos no mercado apresentavam boa eficiência, porém, em contrapartida, eram muito mais prejudiciais ao meio ambiente e ao trabalhador do campo. "Os nematicidas modernos impactam muito menos o ambiente e são mais fáceis de manipular", afirma.

O uso de nematicidas pode devolver a produtividade à plantação. De acordo com a engenheira agrônoma, o crescimento varia entre 20 e 50% na cana planta e 25 a 27% na soqueira. "Dependendo sempre da concentração", reforça.

Além dos nematicidas, é usual que o produtor concilie outras formas de combate às pragas que atingem os canaviais. Por isso, Leila reafirma a necessidade do especialista para entender o manejo ideal da área - é este justamente o seu trabalho no IAC. O entendimento técnico aprofundado é capaz de encontrar as melhores saídas tanto para o rendimento, quanto para os recursos naturais e para os agricultores.

Para Leila, a responsabilidade da pesquisa é ajudar os produtores a obter estes resultados. "Só poderemos alavancar o país se os produtores conseguirem contribuir para isso", diz. "Se eu puder contribuir para isso, minha missão como pesquisadora estará cumprida".

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Legado. O começo de uma rentabilidade histórica no seu canavial.
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